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Atendimento de Adolescentes, Adultos, Idosos. Sessão Individual, Casal e Familiar, em Consultório ou em Domicílio (para casos específicos). Orientação Psicológica Online via Skype.

Fobias

O medo é um sentimento inerente ao ser humano, pode ser definido como uma sensação de que algo ruim pode acontecer seguido de sintomas físicos que incomodam, ou como um sentimento vivenciado diante do perigo. Quando esse medo é excessivo e irracional em relação à ameaça, apresentando fortes sinais de perigo e acompanhado de comportamento de evitação quanto às situações causadoras do medo, é chamado de fobia, crise de pânico provocada em situações específicas.

A fobia é um dos transtornos de ansiedade mais apresentados pelo ser humano e um dos distúrbios psicológicos mais estudados.

Fobia origina-se do grego phobia, que significa medo intenso, ou irracional, aversão, hostilidade.

Os três tipos básicos de fobias são: a agorafobia, a fobia social, as fobias específicas.

Os sintomas são: transpiração excessiva, taquicardia, náusea, vertigem, calafrios, dor no peito, sensação de falta de ar e formigamento.

Muitos neurocientistas explicam que a causa da fobia pode estar relacionada com fatores biológicos, como um aumento do fluxo sanguíneo e maior metabolismo no lado direito do cérebro em pessoas fóbicas.

FOBIA SOCIAL
A fobia social é um transtorno caracterizado por ansiedade intensa gerada quando a pessoa é submetida a situações nas quais são avaliadas por outras pessoas. Ansiedade que, como em outras fobias, pode ser experimentada de várias formas, como inquietação, estado de pânico ou reações físicas como suor intenso nas mãos, aceleração dos batimentos cardíacos, tremor nas mãos e falta de ar.

A ansiedade própria da fobia social pode ser identificada a partir de duas características essenciais: necessidade de sair rapidamente da situação e o reconhecimento que o medo é irracional.

A pessoa sente medo excessivo em várias situações sociais, como falar, escrever, comer, usar sanitários públicos, praticar exercícios físicos em público. Situações essas que podem ser enfrentadas com intensa ansiedade e sofrimento ou serem evitadas, influenciando assim, na vida social, profissional e afetiva.

O diagnóstico é clínico, a partir do relato dos sintomas apresentados. O tratamento é feito com antidepressivos associados à psicoterapia.

AGORAFOBIA
A agorafobia é o medo apresentado diante de uma multidão e em lugares abertos. Essencialmente, a agorafobia pode ser explicada pelo próprio medo de ter medo, de sentir mal em um desses locais e não conseguir sair, e não o medo do lugar em si.

A pessoa que sente agorafobia vivencia uma ansiedade classificada como antecipatória, o medo e a sensação de mal estar podem ser tão fortes a ponto de ocasionar um episódio de pânico. Ansiedade essa, que pode aparecer sempre em lugares como: festas, ônibus lotado, pontes, filas, trem ou automóvel.

A agorafobia pode influenciar na qualidade de vida da pessoa que a experimenta, levando-a a comportamentos de fuga diante de lugares que podem provocar medo e mal-estar. Sendo assim, as atividades simples do dia-a-dia como ir ao shopping, ao supermercado, passam a ser difíceis e necessitam sempre de um acompanhante, devido ao receio de passar mal e não ter alguém próximo para prestar socorro.

Conseqüentemente isso pode provocar um isolamento, fazendo com que a pessoa se sinta bem somente em casa, porém é interessante ressaltar que esse isolamento não se remete à fobia social, já que nesse quadro o receio é do julgamento alheio e em caso de agorafobia o medo é de não ter ninguém próximo caso a pessoa passe mal.

Os comportamentos variam muito de pessoa para pessoa. Algumas dessas manifestações podem estar presentes, sem que esse seja um quadro de agorafobia e necessite de ajuda.

O tratamento farmacológico é recomendado, esse consiste na remissão total dos sintomas, através da medicação adequada. A psicoterapia aborda os sintomas fóbicos e a ansiedade antecipatória.

FOBIAS ESPECÍFICAS
Hidrofobia por exemplo, é o medo da água. É comum o medo moderado de águas profundas, acompanhado do medo de afogamento, já o medo doentio é designado como hidrofobia. Essa pode ter origem na infância, relacionada a algum trauma ocorrido com líquidos. Pode desaparecer na puberdade ou ser prolongada até a fase adulta.

A hidrofobia não é medo da água propriamente dito, e sim o medo do afogamento. Grande parte das pessoas que apresentam hidrofobia não sabem nadar.
Dentro da psicologia, é classificada como fobia específica do subtipo ambiente natural. A fobia específica tem como característica essencial o medo intenso e persistente de situações claramente discriminadas, como é o caso do medo presente em situações do ambiente natural como a água.
Existem outras fobias por coisas específicas como palhaço, cobra, trovão, seringa, etc.


ACROFOBIA
Estar perto de um lugar alto, como por exemplo, um precipício, pode ocasionar medo de escorregar, cair, esse é um medo compreensível, já que se trata de um perigo real.

O medo torna-se irracional quando surge em situações nas quais o indivíduo se encontra em locais altos e protegidos por vidros ou grades, como os prédios. A pessoa com fobia de altura reage com medo diante dessas circunstâncias, sente tontura e não consegue olhar para baixo.

As situações que ocasionam o medo são várias, como: escadas rolantes, edifícios altos, ladeiras.

Indivíduos que sofrem de fobia de altura ou acrofobia podem se acostumar com determinados locais altos, perdendo o medo desses lugares, porém vivenciará o medo novamente diante de outro lugar alto.

Pessoas que sofrem de acrofobia podem ter um ataque de pânico quando estão em um lugar alto e não vêem uma forma de sair dele.

Por Patrícia Lopes

Codependência


Codependentes são esses familiares, normalmente cônjuge ou companheira(o), que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão diante do dependente e de seus problemas. São pessoas que têm baixa auto-estima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente.
O que parece ficar claro é que os codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro. Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de alcoolistas, dependentes químicos, jogadores compulsivos, alguns sociopatas, sexuais compulsivos, etc.
O Codependente é Atado na pessoa problema
A codependência se manifesta de duas maneiras: como um intrometimento em todas as coisas da pessoa problema, incluindo horário de tomar banho, alimentação, vestuário, enfim, tudo o que diz respeito à vida do outro. Em segundo, tomando para si as responsabilidades do outra pessoa. Evidentemente, ambas atitudes propiciam um comportamento mais irresponsável ainda por parte da pessoa problemática.
O codependente almeja ser, realmente, o salvador, protetor ou consertador da outra pessoa, mesmo que para isso ele esteja comprovadamente prejudicando e agravando o problema do outro.
Como se nota, o problema do codependente é muito mais dele próprio do que da pessoa problemática e, normalmente, a nobre função do codependente depende da capacidade de ajudar ou salvar a outra pessoa, que sempre é transformada em vítima e não responsável pelos próprios problemas.

Sintomas da Codependência
A codependência é uma condição específica que se caracteriza por uma preocupação e uma dependência excessivas (emocional, social e a vezes física), de uma pessoa em relação à outra, reconhecidamente problemática. Em pouco tempo o codependente começa a achar que ninguém apóia a pessoa problema (como ele), que ambos são incompreendidos, ele e a pessoa problemática, ambos não recebem o apoio merecido, etc.

A pessoa codependente não sabe se divertir normalmente porque leva a vida demasiadamente a sério, parecendo haver um certo orgulho em carregar tamanha cruz, em suportar as ofensas, humilhações e frustrações. Como ele precisa desesperadamente da aprovação dos demais, porque no fundo ele mesmo sabe que está exagerando em seus cuidados com a pessoa problemática, procura ter complacência e compreensão com todos por uma simples questão de reciprocidade (quer que os outros também entendam o que está fazendo).
A codependência se caracteriza por uma série de sintomas e atitudes mais ou menos teatrais, e cheias de Mecanismos de Defesa, tais como:
1. - Dificuldade para estabelecer e manter relações íntimas sadias e normais, sem que grude muito ou dependa muito do outro
2. - Congelamento emocional. Mesmo diante dos absurdos cometidos pela pessoa problemática o codependente mantém-se com a serenidade própria dos mártires.
3. - Perfeccionismo. Da boca para fora, ou seja, ele professa um perfeccionismo que, na realidade ele queria que a pessoa problemática tivesse.
4. - Necessidade obsessiva de controlar a conduta de outros. Palpites, recomendações, preocupações, gentilezas quase exageradas fazem com que o codependente esteja sempre super solícito com quase todos (assim ele justificaria que sua solicitude não é apenas com a pessoa problemática).
5. - Condutas pseudo-compulsivas. Se o codependente paga as dívidas da pessoa problemática ele “nunca sabe bem porque fez isso”, diz que não consegue se controlar.
6. – Sentir-se responsável pelas condutas de outros. Na realidade ele se sente mesmo responsável pela conduta da pessoa problemática, mas para que isso não motive críticas, ele aparenta ser responsável também pela conduta dos outros.
7. - Profundos sentimentos de incapacidade. Nunca tudo aquilo que fez ou está fazendo pela pessoa problemática parece ser satisfatório.
8. – Constante sentimento de vergonha, como se a conduta extremamente inadequada da pessoa problemática fosse, de fato, sua.
9. – Baixa autoestima.
10. - Dependência da aprovação externa, até por uma questão da própria auto-estima.
11. - Dores de cabeça e das costas crônicas que aparecem como somatização da ansiedade.
12. - Gastrite e diarréia crônicas, como envolvimento psicossomático da angústia e conflito.
13. - Depressão. Resultado final
Parece um nobre empenho ajudar a outras pessoas que se estão se autodestruindo, como no caso dos alcoolistas ou dependentes químicos, do jogo ou do sexo compulsivos. Entretanto, se quem ajuda se esquece de si mesmo, se entrega à vida da outra pessoa problemática, então estamos diante da Codependência. A dor na codependência é maior que o amor que se recebe e se uma relação humana resulta prejudicial para a saúde física, moral ou espiritual, ela deve ser desencorajada.
Na realidade a codependência é uma espécie de falso-amor, uma vez que parece ser destrutivo, tendo em vista que pode agravar o problema em questão, seja a dependência química, alcoolismo, transtornos de personalidade, etc. Todo amor que não produz paz, mas sim angústia ou culpa, está contaminado de codependência, é um amor patológico, obsessivo é bastante destrutivo. Ao não produzir paz interior nem crescimento espiritual, a codependência cria amargura, angustia e culpa, obviamente, ela não leva à felicidade. Então, vendo desse jeito, a codependência aparenta ser amor, mas é egoísmo, medo da perda de controle, da perda da relação em si.
Disfunção Familiar
Na família da pessoa problemática as relações familiares e a comunicação interpessoal vão se tornando cada vez mais complicadas. A comunicação se faz mais confusa e indireta, de modo que é mais fácil encobrir e justificar a conduta do dependente do que discuti-la. Esta dificuldade (disfunção) vai se convertendo em estilo de vida familiar e produzindo, em muitos casos, o isolamento da família dos contatos sociais cotidianos. As regras familiares se tornam confusas, rígidas e injustas para seus membros, de forma que os deveres passam a ser distorcidos, com algum prejuízo das pessoas que não têm problemas e privilégios da pessoa problemática.
Como se vê, a conduta codependente é uma resposta doentia ao comportamento da pessoa problemática, e se converte em um fator chave na evolução da dependência, isto é, a codependência promove o agravamento da situação da pessoa problemática, processo chamado de facilitação. Mas, os codependentes não se dão conta de que estão facilitando o agravamento do problema, em parte pela negação e em parte porque estão convencidos de que sua conduta esta justificada, uma vez que estão “ajudando” o dependente a não se deteriorar ainda mais e que a família não se desintegre.
Costuma ser mais freqüente do que se pensa, as pessoas codependentes buscarem ajuda médica, porém, sem que tenham crítica de tratar-se de codependência. Antes disso, essas pessoas se queixam de depressão ou simplesmente de estresse.
Os profissionais de saúde que trabalham na área de dependências, correm sempre o risco de desenvolver codependência como resultado da exposição crônica à dependência dos pacientes.
As manifestações dessa codependência profissional são muito variadas, podendo dizer respeito à assumir franca e pesada responsabilidade pelo dependente, protege-lo das conseqüências de suas decisões, e dar-lhe sermões repetitivos, enfim, assumir atitudes que ultrapassam as funções do profissional.
Quando acontece a codependência em profissionais da área (médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, pessoal da enfermagem), normalmente não há uma crítica imediata da situação, senão a sensação de que todas as atitudes objetivam genuinamente ajudar o paciente. Entretanto, a codependência está longe de ajudar, sendo mais provável um agravamento da dependência ou uma facilitação.

Recuperação da CodependênciaOs profissionais acham que o primeiro passo em direção a esta mudança é tomar consciência e aceitar o problema.
O tratamento da codependência pode consistir de psicoterapia, grupos de auto ajuda, terapia familiar e em alguns casos, antidepressivos e ansiolíticos. Os grupos de auto ajuda para familiares de dependentes, tais como, Alanom e Codependentes Anônimos são de grande utilidade no processo de recuperação familiar da codependência.
Segundo Neliana Buzi Figlie, psicóloga, especialista em dependência química, a fase I tem como objetivo o dependente a atingir a abstinência. Ao pensar no modelo de doença, nesta fase é trabalhado o conceito de co-dependência. O referencial comportamental trabalha com a perspectiva de visualizar comportamentos do cônjuge que reforcem o comportamento aditivo, almejando a substituição por comportamentos que reforcem a sobriedade.
Na fase II, ainda segundo Neliana Buzi Figlie, o foco é identificar padrões disfuncionais na família como um todo, tanto na família de origem, quanto da família de procriação. Nesta fase é importante retomar rituais familiares e conforme o grau de dificuldade, o encaminhamento para uma psicoterapia familiar especializada pode ser realizado.
A fase III é definida como uma nova fronteira no tratamento da dependência química, sendo uma das áreas menos exploradas e talvez uma das mais controversas. Muito tempo após a cessação do consumo de substâncias, alguns relacionamentos continuam desgastados. Nesta fase o tratamento tem como meta aumentar a intimidade do casal e a participação de ambos no processo é fundamental.
para referir:
Ballone GJ - Codependência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, 2006

Compulsão por Compras

Em casos extremos, a compulsão por comprar pode se tornar patológica. A pessoa que sofre dessa compulsão sente uma forte ansiedade que só é aliviada no momento da compra. É como se ela preenchesse um vazio.
O problema é que passado algum tempo da compra vem o sentimento de remorso e decepção por não conseguir controlar o impulso. E pior ainda, como uma atitude compensatória, o mal-estar causado pela compra leva a pessoa a comprar de novo e isso se torna um ciclo vicioso.
Muitas dessas mercadorias nem se quer são usadas. O importante não é o objeto em si, mas sim a sensação de bem-estar que o fato de comprar proporciona. Muitas pessoas só percebem que de fato estão doentes e que precisam de ajuda quando estão totalmente endividadas. E quando isso acontece ela se sente impotente e envergonhada por não conseguir controlar o impulso, o que faz com que o problema seja mantido em segredo, agravando ainda mais a situação.
É importante salientar que nem todos que gostam de fazer compras estão realmente doentes. Algumas pessoas estão mais propensas que outras a desenvolver esse transtorno. Uma característica importante apontada pelas pesquisas é que pessoas que não estão inseridas em um grupo social, seja no trabalho, na família ou na igreja tem maior possibilidade de desenvolver algum tipo de dependência, seja por compras, jogos, sexo ou internet.
Muitas pessoas recorrem (mesmo que inconscientemente) às compras como forma de sanar angústias, raiva, ansiedade, tédio e pensamento de desvalorização pessoal. Em alguns casos, se tratam de pessoas que tiveram pais ausentes e que compensavam a negligência com presentes, embora não se possa dizer que essa é a causa da doença.
Em outros casos, pais que passaram por dificuldades financeiras na infância tentam, na melhor das intenções, dar a seus filhos tudo que não tiveram e assim eles aprendem que comprar pode ser a solução para muitos problemas. Isso pode comprometer a noção de limites e torná-las adultos incapazes de lidar com a frustração e consequentemente recorrer às compras com essa finalidade.
Portanto, não podemos esquecer que a compulsão por compras pode sim ser uma doença e que é preciso procurar tratamento antes que a situação se agrave ainda mais.  Além disso, é preciso que os pais imponham limites para os filhos desde muito cedo e que estejam presentes em suas vidas não só financeiramente , mas principalmente, afetivamente.
Fonte: Revista Mente e Cérebro, ano XVII, nº 203, dezembro de 2009.

A lei proibe alienar um parente

Você sabia que agora é proibido legalmente alienar um parente? A lei pune pais e mães que tentam colocar seus filhos contra o ex-parceiro, comportamento conhecido como alienação parental. A nova legislação prevê multa, a ser definida pelo juiz, acompanhamento psicológico ou perda da guarda da criança. Diante de uma denúncia de alienação parental, o juiz deverá pedir um laudo psicológico para verificar se a criança está, de fato, sofrendo manipulação. Segundo a lei, se for verificada a veracidade das acusações, o juiz poderá “ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado, estipular multa ao alienador, determinar acompanhamento psicológico ou determinar a alteração da guarda do menor”. De acordo com a lei, alienação parental ocorre quando há “interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança sob sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie o genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este”. Entre os atos que podem ser classificados como alienação está dificultar o contato da criança com o genitor, omitir dele “informações relevantes” sobre o menor e apresentar falsas denúncias sobre parentes da criança. Fonte: psicologiaereflexao.wordpress.com

Adolescência Normal

Essa etapa é marcada por três tipos de luto: do corpo de criança, pela identidade infantil e pela relação com os pais da infância. Apresento a seguir algumas das principais características comuns da adolescência retiradas do livro “Adolescência Normal: Um Enfoque Psicanalítico”, escrito por Arminda Aberastury e Maurício Knobel. 1. Busca de si mesmo e da identidade Não podemos falar da adolescência sem mencionar as mudanças corporais que ocorrem nesse período e a percepção que o indivíduo tem desse “novo” corpo. O esquema corporal é definido como a representação mental que o sujeito tem do próprio corpo, como conseqüência das suas experiências em contínua evolução. Nesse sentido, é de fundamental importância a forma como é elaborado o luto pelo corpo da infância, pois haverá uma modificação desse esquema corporal e do conhecimento que o indivíduo tem do próprio corpo, à partir dessas mudanças. O grupo de amigos, a família e a sociedade em geral têm um papel muito importante nesse processo de formação da identidade porque é a partir das concepções que os outros tem dele que o adolescente vai formando seu autoconceito. Concomitantemente a essa percepção que os outros tem dele, o adolescente vai formando o sentimento de identidade, numa verdadeira experiência de autoconhecimento. Nesta busca pela identidade, o adolescente muitas vezes prefere o caminho mais fácil, fazendo identificações maciças com o grupo. Em outras situações ele opta por uma “identidade negativa”, já que para ele, “é preferível ser alguém perverso, indesejável, a não ser nada” (Aberastury e Knobel, 1989, p. 32). Além disso, devido às rápidas mudanças corporais que ocorrem nesse período, surge um sentimento de estranhamento em relação ao próprio corpo. O tipo de relação que estabeleceu com os pais na infância desempenha papel fundamental diante dessas mudanças. Quando a relação tiver sido boa, a mesma permitirá uma melhor elaboração dessas mudanças tão difíceis para o adolescente. 2. Tendência grupal Outra característica bastante marcante da adolescência é a tendência grupal. Na busca pela identidade, os adolescentes se juntam em busca de uniformidade, que trás uma certa segurança e estima pessoal. Nesse processo, há uma identificação em massa em que todos se identificam com cada um. Segundo Aberastury e Knobel, em alguns casos esse processo é tão intenso que a separação do grupo se torna algo impossível. O adolescente se sente mais pertencente ao grupo de coletâneos do que ao grupo familiar. “Em outro nível, as atuações do grupo e dos seus integrantes representam a oposição às figuras parentais e uma maneira ativa de determinar uma identidade diferente da do meio familiar” (Aberastury e Knobel, 1989, p. 37). Nesse sentido, se transfere para o grupo grande parte da dependência que antes era da família, principalmente dos pais. “O grupo constitui assim a transição necessária no mundo externo para alcançar a individualidade adulta” (Aberastury e Knobel, 1989, p. 37). Depois de passar por essa experiência grupal, aí sim poderá o indivíduo se distanciar da turma e assumir sua identidade adulta. 3. A necessidade de intelectualizar e fantasiar Segundo Aberastury e Knobel, “a necessidade de intelectualizar e fantasiar acontece como uma das formas típicas de pensamento do adolescente” (1989, p. 38). Ele recorre ao pensamento como uma forma de compensar as perdas que ocorrem dentro de si e que ele não pode controlar, como a perda do corpo infantil, dos pais da infância e da bissexualidade que acompanha a identidade infantil. Nesse sentido, a intelectualização e a fantasia servem como mecanismos de defesa diante de todas essas mudanças. 4. As crises religiosas Em relação à religião, o que se pode observar é que o adolescente tende a adotar posições extremas: pode se manifestar como um ateu exacerbado ou como um místico muito fervoroso. Entre essas duas posições, apresentam-se mudanças freqüentes, oscilando entre uma e outra. Aberastury e Knobel colocam que essas oscilações são “tentativas de soluções da angústia que vive o ego na sua busca de identificações positivas e do confronto com o fenômeno da morte definitiva de uma parte do seu ego corporal. Além disso, começa a enfrentar a separação definitiva dos pais e também a aceitação da possível morte dos mesmos” (1989, p. 40). Muitas vezes acreditar na divindade da religião pode representar uma saída mágica. Por outro lado, quando as situações de frustração foram muito intensas, refugiar-se em uma atitude excessivamente ateísta pode representar uma atitude compensadora e defensiva. 5. A deslocalização temporal Segundo Aberastury e Knobel, o adolescente vive uma certa deslocalização temporal, convertendo o tempo em presente e ativo, numa tentativa de manejá-lo. Para o adolescente tudo é urgente e as postergações são aparentemente irracionais. Para Aberastury e Knobel, essa negação do tempo funciona como uma defesa. “Quando se nega a passagem do tempo, pode-se conservar a criança dentro do adolescente como um objeto morto-vivo” (1989, p. 43). Os autores fazem ainda uma relação dessa negação com o sentimento de solidão, típico dos adolescentes. “Estes momentos de solidão costumam ser necessários para que fora possa ficar o tempo passado, o futuro e o presente, convertidos assim em objetos manejáveis” (Aberastury e Knobel, 1989, p. 43). Segundo eles, essa capacidade de ficar só é um sinal de maturidade, que só é atingido após estas experiências de solidão, que se mostram adolescentes na adolescência. Aberastury e Knobel consideram que esta discriminação temporal é uma das tarefas mais importantes da adolescência, juntamente com a elaboração dos lutos típicos desse período. “Poder conceituar o tempo, vivenciá-lo como nexo de união, é o essencial, subjacente à integração da identidade” (1989, p. 44). 6. A evolução sexual desde o auto-erotismo até a heterossexualidade Neste processo de evolução sexual do auto-erotismo até a heterossexualidade observa-se uma oscilação permanente entre a atividade de caráter masturbatório e o começo do exercício genital. Nessa fase do desenvolvimento, o contato genital tem um caráter mais exploratório e preparatório do que uma verdadeira genitalidade procriativa, que deveria acontecer somente na vida adulta, com a capacidade de assumir o papel paternal. A forma como os pais lidam com a genitalidade da criança influenciará de maneira determinante na evolução genital do sujeito. Aberastury e Knobel colocam que é normal aparecerem momentos de predomínio de aspectos femininos no rapaz e masculinos na moça. Nesse sentido, os autores defendem que em muitos casos o adolescente experimenta relações homossexuais temporárias, o que não significa que ele seja homossexual. 7. Atitude social reivindicatória Para os autores, o adulto projeta no adolescente a sua incapacidade em controlar o que está acontecendo ao seu redor e tenta então diminuir, deslocalizar o adolescente. Muitas vezes o adolescente tem poucas possibilidades como, por exemplo, no mercado de trabalho e se vê obrigado a se adaptar, atendendo as necessidades que o mundo adulto o impõe. Em alguns casos a saída que o adolescente encontra diante de tantas dificuldades é o crime e a delinqüência. Para Aberastury e Knobel, “na medida em que o adolescente não encontre o caminho adequado para a sua expressão vital e para a aceitação de uma possibilidade de realização, não poderá jamais ser um adulto satisfeito” (1989, p. 54). 8. Contradições sucessivas em todas as manifestações de conduta Outra característica marcante do período da adolescência é a contradição. Segundo Aberastury e Knobel, “a conduta do adolescente está dominada pela ação, que constitui o modo de expressão mais típico nestes momentos de vida, em que até o pensamento precisa tornar-se ação para poder ser controlado. O adolescente não pode manter uma linha de conduta rígida, permanente e absoluta, ainda que muitas vezes o pretenda ou procure” (1989, p. 55) Além disso, predomina a contradição entre uma dependência e uma independência extremas. Segundo Aberastury e Knobel (1989), somente mais tarde, com a maturidade, o indivíduo poderá aceitar ser independente dentro de um limite necessário de dependência. Enquanto isso não acontece, prevalece a contradição, a ambivalência, a dor e as fricções com o meio familiar e social. 9. Separação progressiva dos pais Assim como o adolescente, a família também enfrenta o luto. O que determinada como se dará essa separação dos pais é o tipo de relação que se estabeleceu com os mesmos na infância. A internalização de boas figuras parentais, com papéis bem definidos, proporcionará uma boa separação dos pais, facilitando a passagem da adolescência para a maturidade (Aberastury e Knobel, 1989). Por outro lado, figuras parentais não muitos estáveis e sem papéis definidos podem ser vistas pelo adolescente como sem valor e obrigá-lo a procurar identificações com outras personalidades, muitas vezes de forma compensatória e idealizada. Essas figuras podem ser ídolos de diferentes tipos: esportivos, musicais, cinematográficos, etc. Em alguns casos a identificação pode ser tão forte que assume um caráter patológico, fazendo com que o adolescente comece a viver os papéis que atribui às figuras que se identificou (Aberastury e Knobel, 1989). 10. Constantes flutuações do humor e do estado de ânimo É importante salientar que as constantes mudanças de humor são características normais da adolescência e fazem parte do processo de luto enfrentado nessa idade. No entanto, “a quantidade e a qualidade da elaboração dos lutos da adolescência determinarão a maior ou a menor intensidade desta expressão e destes sentimentos” (Aberastury e Knobel, 1989, p. 58). Referências: ABERASTURY, A. e cols. Adolescência. Porto Alegre: Artes Médicas. 1990. ABERASTURY, A.; KNOBEL. M. Adolescência Normal: Um Enfoque Psicanalítico. Tradução de BALLVE, S. M. G. Porto Alegre: Artes Médicas. 1989. Fonte: psicologiaereflexao.wordpress.com