Serviços

Atendimento de Adolescentes, Adultos, Idosos. Sessão Individual, Casal e Familiar, em Consultório ou em Domicílio (para casos específicos). Orientação Psicológica Online via Skype.

Caso do Professor que Matou a Aluna: o Psicopata Mora ao Lado?

O interesse do público pelas notícias sobre crimes está em ver a punição por crimes que desejamos ou aceitamos cometer um dia . Para Freud, a repressão dos instintos delitivos por meio da moral não os destrói. Esses instintos apenas ficam guardados no inconsciente por um sentimento de culpa, uma tendência a confessar. Ao ver um programa policial, haveria, segundo Freud “[...] uma compensação às restituições que alguém coloca ao próprio sadismo”. Em Totem e tabu, afirmou que a tentação de repetir o ato do transgressor exigia o isolamento e a quarentena de quem violava um tabu. Desse modo, toda reação punitiva tinha como pressuposto, entre os membros do grupo, impulsos idênticos aos proibidos. Para Mead, sob outro enfoque, mas chegando aos mesmos resultados de Freud, a hostilidade em relação aos criminosos contribui para aumentar a solidariedade e o amor dos cidadãos não delinqüentes . Isso implicaria um reforço coletivo da moralidade. No entanto, por trás desse fundamento racional do castigo, há sua verdadeira função: “a gratificação pelas agressões desejadas, porém reprimidas” .
O caso do professor que matou a aluna e ex-namorada parece contrariar essa tese. A maioria do povo não admite sequer matar alguém, quem dirá atirar três vezes contra sua “alma gêmea”. Além disso, todos buscam distanciar-se do assassino, seja por sua visão equivocada do amor como “posse”, seja por seu aparente perfil “psicopata”.
O curioso é que, para os maiores filósofos da humanidade, o amor depende da posse ou está relacionado ao que sentimos quando nos apoderamos de algo. Schopenhauer é explícito ao relacionar amor com posse. Para esse filósofo, o amor é uma ilusão subjetiva, um estratagema para que a natureza consiga atingir seu fim: a multiplicação da espécie. Isso se confirmaria pelo fato de que o apaixonado não deseja simplesmente a correspondência amorosa: “[...] mas a posse, isto é, o gozo físico” . A busca inconsciente dos enamorados pela procriação também se confirmaria pelo fato de os homens gostarem de mulheres com seios grandes (mais leite para as crias) e também pela atração entre os opostos (maior mistura de material genético, criando espécies mais fortes) .
Na obra O banquete, de Platão, sete amigos tentam descrevem o amor. De ressaca por uma noitada anterior, resolvem beber apenas o suficiente para explicarem qual o melhor conceito sobre o “amor”. Não importa descrever a versão de cada um. Até porque Platão considera sofismas as seis primeiras análises. Endeusam o sentimento “amor”, mas não o explicam. Só havia um filósofo no recinto, aquele que estava realmente à procura da verdade . Era Sócrates. Ele teria ouvido a verdade sobre o amor de uma mulher de Mantinéia, Diotima. Para ela, o amor é fruto da conspiração da Pobreza de ter um filho com Recurso, filho de Prudência. Depois de um banquete em homenagem ao nascimento de Afrodite, banqueteavam-se os Deuses. Recurso exagerou na dose e acabou cochilando no Jardim. A Pobreza aproveitou-se da situação e teve um filho com Recurso, o Amor. Esse filho vive num extremo. Será para sempre pobre em homenagem a mãe. Mas puxou o pai e, portanto, sabe o que é belo e bom. Está sempre à procura disso, mas nunca consegue. Daí porque o amor é necessidade, é desejo. Isso só existe, segundo Sócrates, quando não temos. Afinal, somente se deseja: “[...] o que não está à mão nem consigo, o que não tem, o que não é ele próprio e o de que é carente”. Por isso Romeu e Julieta se amam, porque nunca podem ter um ao outro. O obstáculo é a rixa entre as famílias. Em Tristão e Isolda, o cavaleiro chega a morrer de amor ao acreditar na impossibilidade de ter a Princesa em seus braços. Aqui o empecilho que sustenta o amor entre os pombinhos é a diferença entre classes sociais. Daí porque consideram o amor platônico um sofrimento, o eterno desejo por aquilo que não se tem.
O que importa considerar é que Sócrates não diferencia, em essência, o amor entre seres humanos do amor pelas coisas. Daí aproximar o sentimento de amor ao de posse, à necessidade de ter. Nesse sentido, é amor tanto o desejo de um jovem por uma Ferrari quanto pela mulher que o despreza. Nos dois casos, há desejo pelo que não se tem. O afeto até seria maior pela Ferrari. Afinal, quanto maior é a impossibilidade de ter, maior o desejo. No segundo caso, pelo menos já se tem a amizade da garota, falta uma dose de coragem e competência para usar as palavras certas para acertar o coração da donzela. Da Ferrari, tem-se somente um pôster. O que faz Sócrates é apenas graduar em termos de qualidade o amor. Seria próprio dos jovens, segundo ele , desejar coisas/corpos bonitos, enquanto os mais velhos teriam interesse em almas belas. No entanto, em ambos os casos, há necessidade de ter, e, portanto, amor.
O tratamento do amor desvinculado da posse é atribuído sem razão ao gênio de Aristóteles. Isso porque, na Ética eudemeia , o autor afirma que amar é regozijar-se. Nesse sentido, amar seria simplesmente alegrar-se com a existência do outro. André Comte, conferencista na Universidade de Paris, esclarece o equívoco. Segundo o autor, quando Aristóteles conceitua o amor dessa forma emprega o termo grego phílis – que quer dizer amizade – e não eros – o amor erótico. O primeiro termo descreveria: “o amor entre os pais e os filhos, ou entre os filhos e os pais ”. Seria o amor por aquele que não nos faz falta: “a quem com compartilho a sua vida, e ele(a), a minha” . O termo philis também seria adequado para descrever o amor entre as pessoas casadas, aos companheiros. Já que, segundo André, o amor erótico não sobreviveria ao casamento. Não obstante, o que importa é que Aristóteles não divergia de Sócrates quanto ao conceito de amor erótico e sua vinculação irremediável à idéia de posse.
Ainda segundo a concepção socrática de amor, é preciso distinguir o distanciamento voluntário e involuntário entre o sujeito e o objeto de desejo. Só assim se desmistifica o fato de matar por amor. O amor-erótico está sempre entre os extremos, entre a ignorância do outro ao seu conhecimento total. Aquele que não conhece não pode amar, tampouco aquele que compreende integralmente o outro. É preciso criar fantasia sobre o ser amado, daí a figura do príncipe encantado. Quando ele morre, acaba o amor. A canção de Claude Nougaro (Onde fica o Sena?) ilustra bem isso. Segundo ele: “[...] só que existe o tempo/ e o momento fatal/ em que o marido malvado/ mata o príncipe encantado”. Para que permaneça o amor, deve haver sempre a vontade, o desejo de possuir, de conhecer o objeto do desejo. Portanto, a distância entre o apaixonado e o objeto do desejo deve sempre existir. Mas a aproximação deve sempre ser buscada, ainda que isso diminua o amor. Quem aumenta a distância voluntariamente até aumenta o amor, mas não age em razão dele.
Outros são os motivos de quem mata supostamente por amor. Pode ser o egoísmo de não querer o objeto do desejo com outra pessoa ou até mesmo a ânsia de acabar com o sofrimento gerado pelo amor platônico. O prazer gerado pelo sexo, o total abandono do “eu”, implica o desejo da eterna repetição desse estado livre de preocupação. Daí a dependência pelo corpo, pelo físico. A consciência dessa perturbação, de que pode perder o objeto de desejo por investidas de terceiros, chama-se ciúme. Segundo Krishnamurti, nele existe sofrimento, ódio e violência. Além disso, a necessidade de repetir experiências com o objeto do desejo, e a consciência dessa impossibilidade – como um “pé na bunda” bem dado –, gera o sofrimento do amor platônico. Daí o alívio sentido pelos assassinos apaixonados quando extinguem o objeto de desejo.
A intensidade com que esses sentimentos vis se manifestam nos autores de crimes bárbaros sugere a tese de que, nesses casos, haveria um desvio comportamental no agente, uma tendência inata para cometer crimes, um psicopata. A professora Ana Beatriz, Psiquiatra e a autora do best seller “mentes perigosas: o psicopata mora ao lado” defende a existência de indivíduos com personalidade voltada ao crime. Segundo ela, a psicopatia não é uma doença mental. O ato criminoso praticado por esses indivíduos desviados é fruto de : “[...]um raciocínio frio e calculista combinado com uma total incapacidade de tratar as outras pessoas como seres humanos pensantes e com sentimentos”. Elenca diversas características comuns aos psicopatas. Segundo a autora, o indivíduo com personalidade desviada, um criminoso em potencial, é espirituoso e divertido, não se constrange quando desmascarado com suas mentiras, tem uma visão narcisista e super valorizada de seus valores e sua importância, além de outras dez características.
Para Michel Foucalt, o conceito de psicopata é historicamente demarcado, surgindo com a ascensão da burguesia. Segundo ele, o conceito de psicopata implica dobrar o delito com a criminalidade. Com isso o exame psiquiátrico busca: “[...] toda uma série de outras coisas que não são o delito mesmo, mas uma série de comportamentos, de maneiras de ser que, bem entendido, no discurso do psiquiatra, são apreendidas como a causa, a origem, a motivação, o ponto de partida do delito”. Pesquisar as causas do delito não fazia sentido até o fim do período monárquico, em que não havia equivalência entre a pena e o dano produzido. O crime nessa época não atingia os interesses da sociedade, não representava uma quebra do pacto social. Por menor que fosse, representava uma insurreição contra o soberano. Já o crime monstruoso era anulado em rituais de Soberania, que reconstituía em detalhes e com mais perversidade o próprio ato criminoso, anulando-o. Daí afirmar Foucaut que, no período monárquico: “[...] não há mecânica do crime que seria da alçada de um saber possível; não há mais que uma estratégia de poder, que exibe sua força em torno e a propósito do crime”. Prova disso é que a criminologia surgiu apenas entre o fim do século XIX e começo do século XX.
O conceito de Psicopata foi criado sob uma aparente racionalidade, para satisfazer os interesses da burguesia. Para Foucalt, a burguesia não apenas ascendeu ao poder. Mas inaugurou uma nova forma de exercê-lo. Segundo ele, essa nova arqueologia permitiu a um só tempo: “[...] majorar os efeitos do poder, diminuir o custo do exercício do poder e integrar o exercício do poder aos mecanismos de produção”. Tudo isso sob uma aparente racionalidade das instituições. O ideal de que a pena deveria corresponder aos danos causados à sociedade permitia economizar despesas com a punição. O atestado de psicopatia permitia aumentar os efeitos do poder, pois punia o criminoso por atos cometidos bem antes do crime e sem qualquer relação aparente com ele, em clara ofensa ao princípio da legalidade. Afinal, como alerta Foucalt, lei nenhuma proibia ser o indivíduo imoral ou amar mais a si que aos outros. O conceito de psicopata seria uma técnica de normalização, a imposição de um padrão ético de conduta. A psiquiatria estava avançada, nessa época, e se sabia que os laudos psiquiátricos indicando uma personalidade voltada ao crime eram fajutos, risíveis, grotescos. Foucalt demonstra casos em que a psicopatia era afirmada a partir do gosto do criminoso por jogos e automóveis. Não é coincidência que o homem normal seja conveniente ao burguês. Ele se casa antes dos 30 anos, tem filhos, constitui família e é feliz como empregado.
Como foi possível que a psicopatia se infiltrasse no Judiciário, já que esse conceito atenta contra o princípio da legalidade, outro ideal burguês? A ideia de colocar um psiquiatra para constatar a psicopatia dava autoridade ao laudo, pouco importando o grau de certeza científica da afirmação. Por outro lado, o ideal burguês do princípio da persuasão racional das decisões judiciais permitia que os juízes desprezassem o laudo, decidindo a normalidade do réu a partir de sua convicção pessoal. Na verdade, sempre homologavam o parecer técnico do Psiquiatra. No entanto, o sistema permitia a inserção de um médico que seria ao mesmo tempo, nas palavras de Foucalt, médico-juiz, sem tirar o poder do Juiz de Direito. A afronta à legalidade, ao punir o criminoso por atos anteriores ao delito, estava justificada pela aparente racionalidade do laudo médico, proveniente de um saber relacionado às ciências naturais.
Atualmente, a psicopatia também tem servido aos interesses dos donos do poder. O conceito de psicopata ganhou autonomia jurídica. Com isso, o médico-juiz sai de cena e o Juiz de Direito passa a determinar por si só quem é psicopata. No Código Penal (art. 59), o juiz deve determinar a pena-base para o delito, devendo considerar para efeito de cálculo a personalidade voltada ao crime. Isso permitirá estigmatizar o autor do crime, etiquetá-lo na linguagem do labelling aproach (moderna escola criminológica). Considerar o autor do crime um anormal também fundamenta o caráter reeducativo da pena, sua função corretiva (prevenção especial). O que implica, na prática, punir o criminoso além dos danos causados. Sem contar que a etiqueta é feita sob o molde burguês. Isso permite estabelecer um benefício aos burgueses incompetentes, que são presos em suas empreitadas. Os criminosos do “colarinho branco”, por exemplo, não tem sua pena aumentada por suposta personalidade voltada ao crime. Eles não são supostamente perigosos, pois convivem integrados à sociedade. Por outro lado, os psiquiatras passam a utilizar o termo psicopatia no próprio consultório. Angariam novos clientes. Antes, apenas os loucos, agora também os anormais.
Aproximar o criminoso da população por meio da negação da ideia de amor-erótico desvinculado da posse e da psicose não implica considerar todos criminosos potenciais. Segundo Freud, o interesse do povo pelas notícias sobre crimes se justifica a partir da identificação entre os instintos do criminoso e os do resto da massa. A moral não destrói esses instintos, que ficam presos no inconsciente, como afirmado. No entanto, isso não impede que a internalização da moral religiosa ou de outros subsistemas sociais signifique para o indivíduo a disposição eterna de não cometer crimes ou determinado tipo de crime. O que não se pode é etiquetá-lo como impotente para a prática de crimes. Isso seria utilizar o conceito de psicopata ao reverso, pois teríamos que avaliar o sujeito a partir de suas ações bondosas, já que sua mente é impenetrável.

Terapia contra a obesidade

Quem restringe sua alimentação com dietas fica mais propenso a se tornar um obeso, não importando seu peso atual.
Esse fato se explica por duas reações humanas diante de uma privação alimentar.
A primeira é que a restrição de alimentos leva a um excesso alimentar subsequente, que leva o indivíduo a não só recuperar o peso perdido, como a consumir calorias que o levem a uma elevação do peso inicial.
A segunda reação é que a privação temporária de alimentos diminui a taxa metabólica, reduzindo o gasto de calorias. A cada surto de dieta, o corpo reduz ainda mais sua taxa metabólica, tornando-se cada vez mais difícil alcançar o objetivo da perda definitiva de peso.
Uma resposta adaptativa dos seres humanos diante da experiencia de privação de alimentos é armazenar no organismo tanto alimento quanto possível e a diminuição do gasto calórico.
Para perda de peso é preciso um programa de exercícios e um conjunto permanente de hábitos alimentares. Em muitos casos, um acompanhamento psicólogico se torna necessário, visto que muitas pessoas tendem a comer mais em situações de ansiedade. Um vício de comportamento e cognição em responder à todas situações provocadoras de ansiedade com o ato de Comer. No trabalho terapêutico o paciente passa por um trabalho de conscientização das situações que o levam a comer em excesso para depois mudar as condições associadas a isso, para assim compensarem a si mesmos com comportamento alimentar apropriado. O tratamento terapêutico tem atingido melhores resultados principalmente no pós redução de peso, em que os pacientes dificilmente voltam a engordar. Isso acontece porque o paciente atribui a perda de peso a seus próprios esforços, ao contrário daqueles que fazem uso de medicação, por exemplo.

Por Josiane Rodrigues

Anorexia e Bulimia Nervosa - Quem são os anoréxicos e os bulímicos?

São pessoas com auto-estima rebaixada, que sofrem de intensa distorção da imagem corporal e sentimentos de desesperança. Evidenciam a preservação da capacidade intelectual – enquanto potencial, apesar da impossibilidade de utilização eficiente de todos os recursos cognitivos-racionais devido à invasão dos afetos, gerando acentuado sentimento de ineficiência. O controle de impulsos dos pacientes é deficitário, podendo ocorrer episódios de auto e hetero agressividade, que colocam em risco tanto a própria integridade física como das pessoas do ambiente circundante.
Essa configuração da organização afetiva, além de interferir no aproveitamento pleno dos recursos intelectuais, acaba prejudicando também a qualidade dos relacionamentos interpessoais, que são temidos e marcados pelo desejo de aprovação e extrema insegurança.
Devido aos intensos conflitos psicológicos experimentados, o relacionamento com as figuras parentais aparece permeado por marcada ambivalência emocional, prejudicando o processo de individuação e separação psicológica em relação aos pais, o que remete às questões de autonomia versus independência como uma tarefa ainda não elaborada. A falta de elaboração dos conflitos psíquicos vivenciados na internalização das imagos parentais compromete a consolidação da identidade pessoal. Em decorrência da frágil estrutura egóica, em situações de maior vulnerabilidade psíquica os pacientes com transtornos alimentares recorrem a movimentos regressivos, na tentativa de se defenderem de vivências catastróficas de dispersão e perda dos limites da própria identidade. Isso se manifesta na tenacidade com que tentam preservar um padrão de relacionamento infantil com seus pais, agarrando-se a vínculos simbióticos – uma fusão eu-outro mortífera, que embaralha as fronteiras que definem a subjetividade – obstruindo os movimentos expansivos que normalmente impulsionam o adolescente na rota do crescimento emocional.
É bastante freqüente que esses pacientes, no início do tratamento, acentuem uma tendência a negar a existência da doença, associando o transtorno alimentar a um estilo de vida excêntrico, porém válido, resultante de uma opção consciente a qual eles alçaram de forma deliberada, após examinarem várias alternativas. Abraçados aos seus sintomas sentem-se, inclusive, diferenciados da maioria dos mortais, uma vez que se consideram dotados de um estilo peculiar de levar a vida. Conseqüentemente, mostram-se em geral refratários ao tratamento ou, quando menos questionadores, apresentam uma aderência superficial ao esquema terapêutico proposto.
Essa atitude de reserva em relação ao atendimento em geral reflete-se em uma atitude de desconfiança – que por vezes se traduz em manifestações de franca hostilidade e explosividade no relacionamento com algum profissional da equipe. Contudo, com a evolução do tratamento e o fortalecimento do vínculo com a psicóloga, tendem a reconhecer a necessidade de atenção especializada, embora uma parcela de pacientes ainda permaneça ambivalente em relação ao atendimento, guardando uma atitude defensiva de aparente indiferença e calculado distanciamento emocional. Na medida em que a desconfiança foi abrandada e outras experiências emocionais abriram caminho para que se criassem condições para um relacionamento amistoso, pôde-se perceber uma maior permeabilidade aos afetos. O que sugere que esses pacientes podem se beneficiar de um tipo de psicoterapia que favoreça o exame do estado emocional vivenciado no aqui-e-agora, possibilitando assim uma experiência emocional corretiva.


Fonte: http://www.fmrp.usp.br/revista/2006/vol39n3/6_perfil_psicologico.pdf


Homofobia

A palavra homofobia significa a repulsa ou o preconceito contra a homossexualidade e/ou o homossexual. Esse termo teria sido utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos em meados dos anos 70 e, a partir dos anos 90, teria sido difundido ao redor do mundo.  


Podemos entender a homofobia, assim como as outras formas de preconceito, como uma atitude de colocar a outra pessoa, no caso, o homossexual, na condição de inferioridade, de anormalidade, baseada no domínio da lógica heteronormativa, ou seja, da heterossexualidade como padrão, norma. A homofobia é a expressão do que podemos chamar de hierarquização das sexualidades. Todavia, deve-se compreender a legitimidade da forma homossexual de expressão da sexualidade humana.

No decorrer da história, inúmeras denominações foram usadas para identificar a homossexualidade, refletindo o caráter preconceituoso das sociedades que cunharam determinados termos, como: pecado mortal, perversão sexual, aberração.

Outro componente da homofobia é a projeção. Para a psicologia, a projeção é um mecanismo de defesa dos seres humanos, que coloca tudo aquilo que ameaça o ser humano como sendo algo externo a ele.
Assim, o mal é sempre algo que está fora do sujeito e ainda, diferente daqueles com os quais se identifica.

Por exemplo, por muitos anos, acreditou-se que a AIDS era uma doença que contaminava exclusivamente homossexuais. Dessa forma, o “aidético” era aquele que tinha relações homossexuais. Assim, as pessoas podiam se sentir protegidas, uma vez que o mal da AIDS não chegaria até elas (heterossexuais). A questão da AIDS é pouco discutida, mantendo confusões como essa em vigor e sustentando ideias infundadas. Algumas pesquisas apontam ainda para o medo que o homofóbico tem de se sentir atraído por alguém do mesmo sexo. Nesse sentido, o desejo é projetado para fora e rejeitado, a partir de ações homofóbicas.

Assim, podemos entender a complexidade do fenômeno da homofobia que compreende desde as conhecidas “piadas” para ridicularizar até ações como violência e assassinato. A homofobia implica ainda numa visão patológica da homossexualidade, submetida a olhares clínicos, terapias e tentativas de “cura”.

A questão não se resume aos indivíduos homossexuais, ou seja, a homofobia compreende também questões da esfera pública, como a luta por direitos. Muitos comportamentos homofóbicos surgem justamente do medo da equivalência de direitos entre homo e heterossexuais, uma vez que isso significa, de certa maneira, o desaparecimento da hierarquia sexual estabelecida, como discutimos.

Podemos entender então que a homofobia compreende duas dimensões fundamentais: de um lado a questão afetiva, de uma rejeição ao homossexual; de outro, a dimensão cultural que destaca a questão cognitiva, onde o objeto do preconceito é a homossexualidade como fenômeno, e não o homossexual enquanto indivíduo.

Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a legalidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. A decisão retomou discussões acerca dos direitos da homossexualidade, além de colocar a questão da homofobia em pauta.

Apesar das conquistas no campo dos direitos, a homossexualidade ainda enfrenta preconceitos. O reconhecimento legal da união homoafetiva não foi capaz de acabar com a homofobia, nem protegeu inúmeros homossexuais de serem rechaçados, muitas vezes de forma violenta.

Juliana Spinelli Ferrari

Fobias

O medo é um sentimento inerente ao ser humano, pode ser definido como uma sensação de que algo ruim pode acontecer seguido de sintomas físicos que incomodam, ou como um sentimento vivenciado diante do perigo. Quando esse medo é excessivo e irracional em relação à ameaça, apresentando fortes sinais de perigo e acompanhado de comportamento de evitação quanto às situações causadoras do medo, é chamado de fobia, crise de pânico provocada em situações específicas.

A fobia é um dos transtornos de ansiedade mais apresentados pelo ser humano e um dos distúrbios psicológicos mais estudados.

Fobia origina-se do grego phobia, que significa medo intenso, ou irracional, aversão, hostilidade.

Os três tipos básicos de fobias são: a agorafobia, a fobia social, as fobias específicas.

Os sintomas são: transpiração excessiva, taquicardia, náusea, vertigem, calafrios, dor no peito, sensação de falta de ar e formigamento.

Muitos neurocientistas explicam que a causa da fobia pode estar relacionada com fatores biológicos, como um aumento do fluxo sanguíneo e maior metabolismo no lado direito do cérebro em pessoas fóbicas.

FOBIA SOCIAL
A fobia social é um transtorno caracterizado por ansiedade intensa gerada quando a pessoa é submetida a situações nas quais são avaliadas por outras pessoas. Ansiedade que, como em outras fobias, pode ser experimentada de várias formas, como inquietação, estado de pânico ou reações físicas como suor intenso nas mãos, aceleração dos batimentos cardíacos, tremor nas mãos e falta de ar.

A ansiedade própria da fobia social pode ser identificada a partir de duas características essenciais: necessidade de sair rapidamente da situação e o reconhecimento que o medo é irracional.

A pessoa sente medo excessivo em várias situações sociais, como falar, escrever, comer, usar sanitários públicos, praticar exercícios físicos em público. Situações essas que podem ser enfrentadas com intensa ansiedade e sofrimento ou serem evitadas, influenciando assim, na vida social, profissional e afetiva.

O diagnóstico é clínico, a partir do relato dos sintomas apresentados. O tratamento é feito com antidepressivos associados à psicoterapia.

AGORAFOBIA
A agorafobia é o medo apresentado diante de uma multidão e em lugares abertos. Essencialmente, a agorafobia pode ser explicada pelo próprio medo de ter medo, de sentir mal em um desses locais e não conseguir sair, e não o medo do lugar em si.

A pessoa que sente agorafobia vivencia uma ansiedade classificada como antecipatória, o medo e a sensação de mal estar podem ser tão fortes a ponto de ocasionar um episódio de pânico. Ansiedade essa, que pode aparecer sempre em lugares como: festas, ônibus lotado, pontes, filas, trem ou automóvel.

A agorafobia pode influenciar na qualidade de vida da pessoa que a experimenta, levando-a a comportamentos de fuga diante de lugares que podem provocar medo e mal-estar. Sendo assim, as atividades simples do dia-a-dia como ir ao shopping, ao supermercado, passam a ser difíceis e necessitam sempre de um acompanhante, devido ao receio de passar mal e não ter alguém próximo para prestar socorro.

Conseqüentemente isso pode provocar um isolamento, fazendo com que a pessoa se sinta bem somente em casa, porém é interessante ressaltar que esse isolamento não se remete à fobia social, já que nesse quadro o receio é do julgamento alheio e em caso de agorafobia o medo é de não ter ninguém próximo caso a pessoa passe mal.

Os comportamentos variam muito de pessoa para pessoa. Algumas dessas manifestações podem estar presentes, sem que esse seja um quadro de agorafobia e necessite de ajuda.

O tratamento farmacológico é recomendado, esse consiste na remissão total dos sintomas, através da medicação adequada. A psicoterapia aborda os sintomas fóbicos e a ansiedade antecipatória.

FOBIAS ESPECÍFICAS
Hidrofobia por exemplo, é o medo da água. É comum o medo moderado de águas profundas, acompanhado do medo de afogamento, já o medo doentio é designado como hidrofobia. Essa pode ter origem na infância, relacionada a algum trauma ocorrido com líquidos. Pode desaparecer na puberdade ou ser prolongada até a fase adulta.

A hidrofobia não é medo da água propriamente dito, e sim o medo do afogamento. Grande parte das pessoas que apresentam hidrofobia não sabem nadar.
Dentro da psicologia, é classificada como fobia específica do subtipo ambiente natural. A fobia específica tem como característica essencial o medo intenso e persistente de situações claramente discriminadas, como é o caso do medo presente em situações do ambiente natural como a água.
Existem outras fobias por coisas específicas como palhaço, cobra, trovão, seringa, etc.


ACROFOBIA
Estar perto de um lugar alto, como por exemplo, um precipício, pode ocasionar medo de escorregar, cair, esse é um medo compreensível, já que se trata de um perigo real.

O medo torna-se irracional quando surge em situações nas quais o indivíduo se encontra em locais altos e protegidos por vidros ou grades, como os prédios. A pessoa com fobia de altura reage com medo diante dessas circunstâncias, sente tontura e não consegue olhar para baixo.

As situações que ocasionam o medo são várias, como: escadas rolantes, edifícios altos, ladeiras.

Indivíduos que sofrem de fobia de altura ou acrofobia podem se acostumar com determinados locais altos, perdendo o medo desses lugares, porém vivenciará o medo novamente diante de outro lugar alto.

Pessoas que sofrem de acrofobia podem ter um ataque de pânico quando estão em um lugar alto e não vêem uma forma de sair dele.

Por Patrícia Lopes